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O hip-hop e suas vertentes

18/02/2020
Cultura
Das festas de bairro na periferia de Nova Iorque para o mundo: em pouco mais de 40 anos, o hip-hop expandiu fronteiras e definiu os rumos da cultura pop.

​Das festas de bairro na periferia de Nova Iorque para o mundo: em pouco mais de 40 anos, o hip-hop expandiu fronteiras e definiu os rumos da cultura pop. Hoje essa é uma das manifestações artísticas mais influentes, especialmente entre os jovens. Os educandos das Unidades Sociais da Rede Marista, inclusive, já entraram na onda.

Engana-se quem pensa que se trata apenas de música. Poesia, dança, artes plásticas, moda e comportamento também são ferramentas para expressar sentimentos e defender posicionamentos sociopolíticos. Confira.
 

Os quatro (ou ​mais) ele​​mentos do hip-hop

Embora o público leigo associe hip-hop ao rap, aquela música falada com uma batida constante de fundo, o termo abrange um movimento bem mais complexo. Pelo menos quatro elementos constituem o gênero. Veja quais são:
 

O ​​​​D​J

Os primeiros DJs de hip-hop eram jovens de origem africana e latina que viviam na região do Bronx, em Nova Iorque, na década de 1970. Além de selecionar discos de soul e funk para animar as festas do bairro, eles propunham inovações que tornavam a experiência ainda melhor.​

Por exemplo, usavam dois pratos de vinil para emendar uma música na outra, gerando um fluxo contínuo de som. Outro recurso era o scratching, que consistia em girar o LP para a frente e para trás, como se o disco estivesse riscado. Isso criava um efeito rítmico e sonoro bastante característico, que acabou sendo incorporado à estética hip-hop até os dias de hoje.
 

A da​n​​ça

Os DJs também foram pioneiros em estender o break, a parte das canções em que todos os sons saíam, menos a bateria. Graças à técnica de utilizar dois bolachões, era possível manter a faixa em looping, com um instrumental que durava vários minutos.​
 
Essa era a deixa para que os frequentadores das festas exibissem seus dotes performáticos. A dança entrava aí de forma improvisada, incluindo movimentos acrobáticos como piruetas e saltos. Não demorou muito para que surgissem os primeiros concursos de break dance, como ficou conhecido o estilo.
 

A po​e​​sia

Kool Herc é tido como o primeiro rapper moderno. Ele improvisava rimas por cima da batida instrumental durante as festas. No entanto, alguns estudiosos apontam que essa prática deriva de outras manifestações culturais, como os poemas ritmados e os jogos de palavras surgidos no oeste da África.​
 
A incorporação da poesia falada ao movimento hip-hop também fez surgir os slams. Assim são chamadas as batalhas entre artistas de rua. Eles se reúnem em praças, viadutos e outras áreas urbanas para improvisar versos sobre temas da atualidade. Essa é uma forma de usar a arte para discutir assuntos como racismo, misoginia e violência.

O g​ra​​fite

Completando as quatro principais vertentes da cultura hip-hop, há o grafite. O hábito de pintar murais coloridos nos prédios das cidades também surgiu nos anos 1970.

Muita gente ainda confunde esse meio de expressão com as pichações. Porém, ao contrário de rabiscos, os grafiteiros se valem da tinta em spray para elaborar obras de grande valor estético. Assim, em vez de depredar o patrimônio público, eles valorizam muros e paredes com seus desenhos.
 
Os primeiros painéis surgiram nos becos e estações de metrô de Nova Iorque. Hoje, podem ser vistos até nas mais importantes galerias de arte do mundo.

Outros eleme​​ntos

O DJ, a dança, a poesia e o grafite formam a base do que se entende por hip-hop. Alguns especialistas também sugerem incluir outros componentes nessa fórmula. A moda e a linguagem, por exemplo, são manifestações típicas. Ainda, a consciência/atitude pode ser encarada como um pilar importante. Afinal, por trás da expressão artística, existe a intenção de denunciar problemas sociais.

Hip-hop moldou a ​​​cult​​ura pop no mundo​

O processo de expansão do hip-hop começou tímido. Naquela época, ainda não havia internet nem meios de difundir o trabalho com tanta facilidade.
 
Relatos apontam que o movimento emergiu em São Paulo na década de 1980. Os jovens se reuniam no centro da cidade para ouvir as músicas do Bronx (que alguém havia importado na mala). Junto a isso, improvisavam novos passos de dança.

Mais adiante, os brasileiros começaram a organizar festas e a compor no estilo. A explosão midiática veio nos anos 1990, quando as rádios descobriram a potência do rap e passaram a incluí-lo na programação. Então, veio a indústria fonográfica e alçou ao mainstream artistas que, antes, eram considerados “do gueto”.
 
De lá para cá, muita coisa mudou. Cantoras pop começaram a gravar músicas com rappers. Boybands incorporaram a estética do hip-hop em suas canções e em seu jeito de se vestir. Os maiores representantes do gênero passaram a ser reconhecidos internacionalmente e a fazer shows para milhares de fãs.​
 
A manifestação artística já não é mais da periferia: é do mundo. Ainda assim, o legado dos precursores continua firme e forte. Um dos grandes trunfos do hip-hop foi elevar a autoestima de jovens que não se viam retratados na mídia. Por meio da rima, da dança e das artes plásticas, eles conseguiram ter voz e integrar-se à sociedade.

Grafite nas Unidades Sociai​​s da Rede M​arista

Nossos espaços socioeducativos promovem a cultura hip-hop em oficinas e atividades com os educandos. A partir deste mês, serão feitos grafites nas 16 Unidades Sociais da Rede Marista espalhadas pelo Rio Grande do Sul. Passe na unidade mais próxima para ver como a arte transforma o cenário urbano!
 
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